Olá! Aqui é o Victor e hoje vamos falar sobre diversificação de carteira, mas hoje você não vai ler “não coloque todos os ovos numa cesta só” ou “comprar mais de um ativo é bom porque no dia que um cai o outro pode subir e compensa”, hoje vamos falar de matemática.
Vou falar pra você a justificativa matemática, aspectos qualitativos, quantitativos, instrumentos que podem te ajudar com a diversificação, e um tipo de diversificação que eu não vejo ninguém falando por aí, e que me levou anos de mercado pra aprender.
O que é risco?
Diversificação de carteira é legal porque diminui o seu risco, mas o que é risco? Você sabe dizer?
O risco é uma medida de incerteza e está relacionado ao fato de que você não sabe quanto vai valer o seu ativo amanhã, daqui a uma semana ou daqui a um mês. Existem inumeros jeitos de medir isso, mas ficou convencionado que o risco é a volatilidade dos retornos da sua carteira, e isso é medido através do desvio padrão dos retornos.
Em termos práticos, isso significa olhar para os retornos da sua carteira e ver se ela “balança” muito. Se ela “balança” pouco, quer dizer que sua carteira tem pouco risco, já se ela “balança” muito, quer dizer que essa carteira tem mais risco.
Essa é apenas uma das formas de enxergar o risco (eu particularmente não gosto tanto assim). Apesar de existirem outras formas, essa é a forma oficial, a forma convencionada, e é assim que se estuda risco hoje.
Não sei se você se lembra disso, mas o desvio padrão é a raíz quadrada de uma outra medida, a variância. Por isso, quando nós começarmos a combinar ativos numa carteira e quisermos calcular o risco, essa conta vai ficar meio doida.
Vamos começar pensando em como calcular os retornos de uma carteira de dois ativos. É bem fácil né, depende de quanto de cada ativo você tem na sua carteira e do retorno que cada uma deles dá. Ou seja, o retorno total de uma carteira de dois ativos é calculado assim:

Onde P são os pesos e R são os retornos. Simples né? Agora olha como é a equação quando falamos de desvio padrão de uma carteira com dois ativos:

Aqui W representa os pesos, sigma o desvio padrão e rô a correlação entre os ativos. Ficou um pouco mais complicado né? Pois é, mas meu ponto ao mostrar essa equação é essa parte aqui, circulada em vermelho:

O papel da correlação
Essa parte contém uma coisa interessante, a correlação entre os ativos. Não sei se você se lembra, mas a correlação varia entre [-1,1]. Isso significa que a correlação pode ser negativa, ou seja, dependendo dos ativos que você combina, seu risco pode acabar diminuindo.
Isso é até instintivo de pensar, você acha mais arriscado uma carteira que tem 10 ações de petroleiras ou uma carteira que tem uma petroleira, uma mineradora, uma empresa de alimentos, um banco, uma empresa de celulose, uma de tecnologia, etc… ?
Portanto, quanto mais descorrelacionado você estiver, melhor diversificado você estará!
Então não basta você comprar varias ações pra se diversificar, você tem que varias os fatores de risco, ter ativos que dependem de moedas diferentes, geografias diferentes, setores diferentes, regulações diferentes, etc.
Quantos ativos preciso ter pra estar diversificado?
Que bom que chegamos a essa pergunta, a resposta é: depende de quão descorrelacionado for o seu portfolio. Mas vou te dar uma parâmetro prático, uma regra de bolso pra você ter uma ideia. Dá uma olhada no gráfico abaixo:

O eixo vertical desse gráfico representa o desvio padrão (nossa medida de risco, lembra?) e o eixo horizontal representa o número de empresas. Essa curva pode se mexer pra cima ou pra baixo, empinar ou achatar a depender dos ativos que você coloca na sua carteira, mas de forma geral vemos que depois de 10 ativos os efeitos da diversificação já não são grandes e depois de 20 ativos são quase nulos.
Bom, agora que já te dei o porque, o como e o quanto, vou falar dos instrumentos que facilitam essa tarefa e também do último tipo de diversificação, a que eu não vejo ninguém falar por aí.
Os ETFs
ETF é um fundo que negocia suas cotas diretamente na bolsa de valores, geralmente tem caráter de investimento passivo, só replica um índice ou referência, e é muito útil para a diversificação de carteiras, pois é comum que representem uma cesta de ativos.
Aqui no Brasil ainda engatinhamos nos ETFs, lá nos EUA ja existem ETFs pra tudo, milho, ouro, algodão, índices, estratégias de opções, etc.
No Brasil temos ETFs basicamente de índices, vale destacar aqui o BOVA11 e o DIVO11 que são ETFs que replicam o ibovespa e o IDIV respectivamente.
No BOVA11 é possível aplicar a estrategia de venda coberta, que é bem legal pra tirar renda do seu patrimônio em ações, falo disso aqui nesse vídeo, passa lá pra conhecer.
A diversificação que não te contam
Finalmente chegamos na última parte deste artigo, onde te falo sobre a diversificação que não falam por aí, que é a diversificação no tempo.
Separar seus aportes no tempo é um tipo de diversificação também. Isso porque se você entra na bolsa de uma vez, você pode estar entrando num momento muito bom ou muito ruim, ou seja, você pode ter escolhido 10 ações ótimas, descorrelacionadas, mas entrou em todas no mesmo dia, que era um topo de mercado, e por isso vai amargar perdas por anos.
Entrar aos poucos no mercado, um pouco a cada mês te previne desses riscos, faz com que você acabe assumindo um preço médio ao longo do tempo e não entre nem no topo nem no fundo do mercado.
Na minha opinião esse é um dos fatores que faz da filosofia buy and hold tão vencedora. Pra quem aporta todo mês, o preço não importa, em alguns anos o preço médio vai convergindo e cada novo aporte se torna irrelevante.
Se você me acompanhou até aqui, obrigado, peço que compartilhe esse artigo com que você acha que vai se interessar e me ajude a propagar essa ideia.
Te vejo nos próximos artigos ou vídeos!
Grande Abraço!